11 artistas brasileiros que estão quebrando todas as regras de gênero – via DoisTercos


por Genilson Coutinho – www.doistercos.com.br

A música brasileira sempre foi conhecida pela diversidade. E, ainda bem, de tempos em tempos a produção cultural nacional nos apresenta artistas dispostos a desconstruir todas as regras estabelecidas na música e na sociedade. Conheça alguns nomes da cena nacional que estão ajudando a quebrar preconceitos e abrir mentes. É lacre puro!

  1. Liniker

Assim como todxs desta lista, Liniker, 21, é um quebrador de regras: não cabe em uma única caixinha, pelo contrário, cabe em várias. Negro, gay e pobre, gosta de brincar com as regras “normativas” da sociedade. Usa batom, brinco, saia e turbante – e tudo bem. Mas a principal coisa sobre ele, no fim das contas, é mesmo a voz. E, nossa, que voz! Suingada, meio rouca e cheia de emoção, combina perfeitamente com as canções de amor de “Cru”, seu recém-lançado primeiro EP.

  1. Lineker

Por mais incrível que possa parecer, Lineker é Lineker mesmo. Sim, o mesmo nome do cantor acima – a única diferença é o “e”. Mas sabe qual a melhor parte dessa coincidência? Ele é tão bom quanto o artista homônimo! Bailarino, diretor, performer e, claro, cantor, o mineiro, de Bambuí, é conhecido pelos shows cheios de personalidade e por tratar abertamente em suas músicas sobre questões de gênero e sexualidade. Escute “Verão”, seu maravilhoso e recém-lançado EP.

  1. Jaloo

Jaloo é um dos novos artistas mais inventivos do pop nacional. Nascido em Castanhal, no Pará, o cantor e produtor costuma dizer ser uma pessoa não-binária, que é quando a identidade de gênero de alguém não é nem homem nem mulher, pode ser uma combinação dos dois ou nenhum deles. Quebrador de regras, sim ou com certeza? Vale acompanhar sua carreira também por seus clipes, verdadeiras obras de arte, e, lógico, por sua música, uma mistura de pop, tecnobrega e synths oitentistas. Puro deleite.

  1. Caio Prado

“A placa de censura no meu rosto diz: ‘não recomendado à sociedade’. A tarja de conforto no meu corpo diz: ‘não recomendado à sociedade’ Pervertido, mal amado, menino malvado, muito cuidado! Má influência, péssima aparência, menino indecente, viado”, canta Caio Prado na canção “Não Recomendado”. Poucos teriam essa coragem na socidade de hoje e só por isso dá para entender os motivos do carioca ser um quebrador de regras. Ah, dê uma chance ao álbum “Variável Eloquente”. É f*da!

  1. Rico Dalasam

Ele é o único rapper abertamente gay da cena musical brasileira. E, como se isso já não fosse não suficiente, Rico Dalasam é tão militante quanto bom nas rimas. Sua música “Aceite-C” é um hino sobre, duh, aceitação. E ele vai além: suas roupas são um convite para que as pessoas repensem de fato o que é o gênero. Ele está fazendo uma pequena revolução.

  1. Johnny Hooker

Talvez o artista mais famoso desta lista, Johnny Hooker já fez novela da Globo (“Geração Brasil”) e já emplacou músicas em trilhas de outras tramas da mesma emissora. Recifense, no ano passado foi eleito como Melhor Cantor na categoria Canção Popular no tradicional Prêmio da Música Brasileira. Sabe como ele subiu no palco para receber o troféu? Com seu inseparável delineador nos olhos! Porque ele é assim: brinca com o masculino e o feminino, com o gênero e o melhor: consegue fazer isso também na maior TV aberta do país. Uau.

  1. MC XUXU

Funkeira, travesti e feminista, ela é um fenômeno na internet e, com certeza, tem um papel importantíssimo no combate ao preconceito. De acordo com o  relatório “Injustice at Every Turn” feito em parceria pelas ONGs norte-americanas National Center for Transgender Equality and The Task Force, pessoas trans e travestis estão quatro vezes mais propensas a viver na pobreza e experimentam o desemprego o dobro do que a população em geral. Se a pessoa for negra essa margem sobe para quatro vezes. Por isso quando uma artista como a MC Xuxu manda em sua música viral “um beijo para as travestis” ela está matando um pouquinho na cabeça das pessoas a LGBTfobia. Isso se chama representatividade.

  1. Pabllo Vittar

Quantas drag queens brasileiras você vê por aí fazendo música e, principalmente, sucesso? Essa é a Pabllo Vittar que, após o lançamento de “Open Bar”, uma versão da música “Lean On”, viu sua fama na internet crescer e, junto, o interesse por sua figura. Mas, assim, pode uma drag com nome “de homem”? Claro que sim! E a Pabllo, que deu expediente recentemente como a vocalista da banda do programa “Amor & Sexo”, está aí para desconstruir essas “regrinhas”. You go, girl!

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