Então, você quer ser do áudio? – por Sollon do Valle, julho de 1990


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“Então você quer ser do áudio?” (julho/1990)

Em tempos de Oficina de Sonorização, confira este Editorial da revista Áudio Música & Tecnologia, escrito por Sólon do Valle na edição de julho de 1990.

“Nestes dias complicados, várias pessoas de vinte anos ou menos têm me procurado, pedindo a minha opinião sobre uma carreira dentro do Áudio. Do que tenho conversado, vou sintetizar algumas ídéias e alguns fatos sobre o Áudio-como-carreira.

Primeiro dentro do universo do Áudio existem várias carreiras. E cada uma delas se subdivide em ramos diferentes. Basicamente, você pode ser um engenheiro, um técnico, um arquiteto, ou um operador, ou tudo isso. O Engenheiro de Áudio oficialmente não existe no Brasil: nenhuma escola acreditou ainda que Áudio é coisa séria, e que em outros países o jovem pode e consegue se formar em Som.

Aqui, o “Engenheiro de Som” é normalmente um engenheiro eletrônico adaptado, através de estudo auto-didático, assimilação da prática, ou cursos avulsos no Exterior ou no Brasil (raros e geralmente fracos).
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O Engenheiro de Som tem como opções a manutenção de equipamento sofisticado (DAT’S), gravadores de 24 canais, mesas, etc.) e, num estágio mais avançado da vida profissional, se tornar gerente, diretor ou até dono de um estúdio, sala de pós-produção, P.A., uma estação de rádio ou algo maior ou menor.

Um técnico tem como perspectiva principal trabalhar ou junto a um engenheiro numa firma de produção, ou na indústria, ou em manutenção. Boa porcentagem dos técnicos de áudio estuda Engenharia, ou então parte para uma promissora carreira como operador.
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Os operadores de áudio nos E.U.A. e em outros países são chamados de Sound Engineers e, em muitos casos, o são mesmo. Mas mesmo sem serem formado sem faculdade, têm esse status e o merecem, pois seu trabalho é uma bela arte. Na Alemanha e na Áustria eles são chamados de Tonmeister (mestre de som), confirmando a posição. Nos grandes P.A.’S, normalmente os operadores começam como roadies (tradução literal: estradeiros), auxiliares que pegam no trabalho pesado, mas que devem ter potencial técnico e artístico para progredir. Nos estúdios de música, começa-se como Auxiliar Técnico (o cara que prepara o estúdio para o engenheiro de som operar o sistema), passando a Segundo Engenheiro (ou Técnico Assistente)até chegar a Técnico de Gravação (nome antigo) ou Engenheiros de Som (nome atual). Os melhores engenheiros podem , em seguida, vir a ser Produtores ( que dirigem as gravações) diretores artísticos de rádio ou gravadoras, e ficar quase ricos, ou ricos. Na TV e no cinema, o profissional inicia como Boom-Man (o que posiciona o microfone para o ator) e chega a Operador de Áudio. Como empregado, o salário não é grande coisa, mas os free-lancers podem ganhar muito bem.

O Arquiteto Acústico é raro no Brasil, embora alguns sejam dignos de nota e respeitados no exterior. São eles que projetam (com base na estética e na acústica) teatros, auditórios, estúdios,de música, TV e cinema, salas de projeção (cinemas)… Além disso, são consultados acerca de problemas ambientais, urbanos e até ecológicos. Uma bonita profissão (para a qual nossas Universidades estão praticamente despreparadas), a qual é às vezes exercida por engenheiros que a adotam, ao descobrirem que o som é mais bonito que a eletricidade.

Os campos de trabalho compreendem, como já vimos, os estúdios de todos os tamanhos, o cinema, a TV, os P.A.’S, a indústria de equipamento de som (profissional ou de consumo), e o setor de construção. Em alguns, a perspectiva profissional a longo prazo é muito ampla; em alguns, pode-se estacionar a um bom nível ou não; em outros, você não irá muito longe.

Aqui na M&T, somos suspeitos para recomendar a nossa profissão, pois a amamos quase incondicionalmente. Cabe a você analisar e escolher o caminho mais adequado à sua personalidade, ou todos os caminhos de uma vez. Pense…”

Editorial, escrito por Sólon do Valle na edição de julho de 1990.

 

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